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quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Biodiversidade - Risco de Extinção

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O risco de extinção de muitas espécies vem ocorrendo há tempos mas, enquanto o meio-ambiente continua sendo devastado, como será possível contê-lo? As noticias sobre as mudanças climáticas são uma prova disso. E sabemos que a responsabilidade disso é do homem que, desde que o mundo é mundo, vem usando e abusando da natureza sem qualquer medida, sem qualquer cuidado. Foi preciso uma série de eventos climáticos (ou indiretamente ligados às mudanças climáticas) realmente significantes para que o mundo acordasse. Infelizmente, muitos adormeceram novamente ou preferiram lutar por outras causas. Há ainda os que preferem levar o assunto em banho-maria em função de interesses pessoais. Eu me pergunto então, o que precisará acontecer para que as pessoas realmente façam a sua parte?
Lembrei-me agora de uma expressão que ficou conhecida a partir de um filme que foi traduzido no Brasil como "Retroceder nunca, render-se jamais!" expressão semelhante ao nosso "Eu sou brasileiro, não desisto nunca!". Porém, me parece que os brasileiros encaram a expressão apenas referente às lutas que o brasileiro tem que travar dia após dia, seja na questão da saúde, segurança, política ou qualquer outra que faça parte da vida da grande maioria da população, principalmente, é claro, dos de baixa renda.
Seria, entretanto, interessante se a expressão fosse levada mais a sério. Se pudéssemos deixar de lado a realidade dos que trabalham o dia todo para ter o que comer à noite, sem ter força ou disposição para lutar por outras causa que não as de sua rotina diária, poderíamos sonhar com uma mobilização de toda a massa para defender direitos mais amplos do que o pão de cada dia.
Quando leio notícias de ciências, no papel ou na web, percebo que felizmente ainda temos boas notícias. Ainda podemos ler sobre e projetos em defesa da fauna e da flora ou descobertas ligadas à medicina indicando uma nova perspectiva para algum mal antes sem solução.
Mas há o outro lado. Sempre há o outro lado. Nos últimos meses li, entre tantas outras, algumas notícias que me marcaram mais profundamente. Para que fique claro do que estou falando, aqui vai uma pequena lista de notícias, todas relacionadas à mesma pessoa, o primatologista holandês naturalizado brasileiro Marc Von Roosmalen:

Brasil tem duas novas espécies de macaco / Cientista descobre espécie na Amazônia / Maior espécie de porco-do-mato é descoberta da Amazônia / Achadas 5 espécies na Amazônia / Estudioso de primatas é multado pelo Ibama por tráfico de animais / Nomes científicos à venda / Cientista diz que processará Ibama por calúnia / Ibama apreende 31 animais mantidos ilegalmente por pesquisador / Pesquisador acusado de biopirataria é demitido pelo Ministério da Ciência / SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) reclama de "vácuo científico" na Amazônia

Não quero entrar no mérito da questão. Se ele fez, como fez e por que fez aquilo que fez, me parece perder-se numa outra questão: o homem trabalha na Amazônia há mais de 20 anos, descobriu uma série de espécies de animais lá, ganhou um artigo na Time, em 2000, onde afirmava ser fundamental lutar pela preservação da floresta amazônica e então, o governo leva para a prisão, um dos cientistas vivos que mais contribuiu para a descoberta de novas espécies de mamíferos no mundo.
Baseando-se numa legislação que ("diz que") visa combater a pirataria biológica, o governo federal acusou e considerou culpado Van Roosmalen de: 1. Manter sem licença primatas numa instalação de recuperação sua em Manaus – licença cuja renovação pediu, sem resposta das autoridades; 2. Leiloar a atribuição de nomes de primatas novos descobertos junto de patrocinadores ricos – o que serviria para obter recursos para a sua proteção, já que não consegue obter do governo; 3. Ter vendido material genético pertencente ao seu patrão anterior, o Instituto Nacional da Investigação Amazônica (INIA) – biopirataria. Foi condenado a 14 anos e 3 meses. Vemos uma pena deste peso em casos como o da doméstica que foi agredida no ponto de ônibus por cinco rapazes.
A Revista Nature noticiou o fato e informou que os cientistas brasileiros consideraram lutar contra a prisão do primatólogo e contra o que consideram ser as restrições governamentais impostas aos cientistas.

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Então, temos uma notícia sobre novas espécies encontradas na Amazônia, num trecho que vai virar gasoduto, rodovia ou qualquer outra coisa que acabe com o habitat destas espécies. (Veja mais no post anterior)

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Queridos leitores:
Preparem-se! Uma nova luta está por vir! Não é possível assistirmos ao descaso das autoridades sem sequer tentarmos defender o nosso futuro e o de nossos filhos!

2 comentários:

Carol disse...

Precisamos mesmo fazer alguma coisa.
Parece mesmo que todos se esqueceram da importância da fauna, assim como a flora do nosso país.

beijos

Ana Paula disse...

Uns dias fora do Brejo... e o encontro em revolução??? Você está certíssima, quem tem filhos precisa fazer alguma coisa e já, antes que não haja um mundo para nossos bisnetos...