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quinta-feira, 12 de julho de 2007

Princesa Ameba - Capítulo VII

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O dia estava bonito e o castelo parecia estranhamente diferente. Algo parecia ter mudado, algo muito sutil. Andou pelos corredores e percebeu que, em tantos anos, nunca reparara nos lindos afrescos das colunas que se espalhavam pelo caminho. Nas paredes, obras de arte de todas as escolas e retratos de pessoas que ela nunca havia conhecido. Os quadros eram grandes em sua maioria, bastante grandes. Enquanto ia caminhando para a biblioteca, quase sem perceber, foi diminuindo o ritmo, parando vez ou outra para apreciar esta ou aquela obra. As esculturas eram muito expressivas e os vasos de uma beleza ímpar. Realmente, eram coisas belas. De repente, lembrou-se dos livros e apressou o passo novamente. Quando lá chegou, estava ofegante e ansiosa. Seu rosto delicado tingira-se de um rosa suave e saudável. Seus olhos brilhavam de excitação ao imaginar o que descobriria hoje, já que teria em suas mãos, os livros onde poderia encontrar as respostas aos seus sonhos. O senhorzinho já a esperava, com uma expressão indefinida e uma pequena pilha de livros ao seu lado. Sua postura era impecável e sua cabeça calva brilhava. O monóculo repousava em seu bolso, preso por uma fina corrente dourada. Seus olhos cruzaram com os da princesa por um instante e o tempo pareceu parar. Rapidamente, ele desviou o olhar e restou nela a impressão de que devia estar imaginado coisas. Fechou os olhos, deu um suspiro e abriu-os novamente. É, devia ter sido sua imaginação. Deu um leve sorriso ao homem e postou-se à sua frente, como uma criança pronta a ver um truque interessante. Após um polido bom dia, ele pegou a pilha de livros e, com gestos educados, levou até a mesa grande convidando-a a sentar-se. Pegou cada um dos livros e descreveu-os rapidamente a ela, saindo em seguida da sala.
Ali estava ela, tão ansiosa que não conseguia focar as letras. Pegou um copo de água e sorveu alguns goles. Começou a ler o primeiro livro mas sua ansiedade não lhe permitia concentrar-se. Pelo índice percebeu que tratava-se da história de um reino próximo ao seu. Resolveu descartá-lo e passar para o próximo. Mas nenhum deles era de seu reino, exceto o último. Começou a ler devorando cada palavra. A história começava com acontecimentos de muitos anos atrás. Descobriu coisas interessantes mas, superficiais. Quando chegou ao final percebeu que o mesmo relatava a história até antes de seu nascimento. Precisava de um livro mais recente. Ou jornais antigos. Começou a ficar nervosa ante a perspectiva de não conseguir informação nenhuma. Constatou infeliz que, teria que se arriscar e perguntar diretamente por um livro que tratasse do ano em que nascera. Se fosse indagada a respeito poderia dizer apenas que estava curiosa por saber de acontecimentos passados, sem nenhum foco especial.
Chamou novamente o livreiro e fez o pedido de maneira natural. No momento em que fez a pergunta, viu nos olhos do homem um brilho diferente e, antes que ele pudesse responder, se ouviu perguntando a ele o seu nome. Não sabia de onde teria vindo aquele impulso mas, sabia que isso agora era o mais importante. Ele então prendeu o ar e sua expressão anuviou-se quase que instantaneamente. Como se naquela pergunta estivesse todo um mundo de informações, ela esperou pela resposta, os olhos arregalados fitando os olhos à sua frente. Eram olhos verdes, profundos e calorosos. E a resposta veio numa voz doce e firme:
- Meu nome, minha princesa, é Theodore. Theodore Coli, madame. - e com estas palavras, sorriu. E este sorriso iluminou a pequena princesa como quando se encontra algo que há muito foi perdido.

Continua... aguarde.

2 comentários:

Red Letters disse...

Envolvente mistério...
rica leitura!

Parabéns.

Quando postar um capítulo novo da Princesa Ameba me avisa, por favor!

Voltarei sempre!

Abraços.

Obrigada pelo comentário no meu espaço.

AP disse...

Ai, sempre acaba no melhor do mistério... Cíntia, bem que a aventura da Princesa Ameba poderia virar um livro, né? Beijos, bom final de semana! Ah, adoro vc também!